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quarta-feira, 4 de março de 2009

AMÉRICA LATINA - México, polícia dos Estados Unidos

Reportagem da revista Le Monde diplomatique Brasil do dia 12 de Dezembro de 2007.
O presidente Bush deu mais um passo em seu projeto de empurrar a fronteira norte-americana para o sul e de transferir seus conflitos para outros territórios. A “Iniciativa Mérida”, um programa de cooperação contra o narcotráfico, também aponta para a imigração ilegal e a criminalização dos protestos sociais
Luis Hernández Navarro
O líder norte-americano pediu ao Congresso um orçamento de 550 milhões de dólares a título de “financiamento de emergência para outras atividades críticas de segurança nacional”, entre as quais incluiu a “assistência vital a nossos parceiros no México e na América Central, que estão trabalhando para derrotar os cartéis da droga, combater o crime organizado e impedir o tráfico. Isso é prioridade máxima nos Estados Unidos e o Congresso deve financiá-lo sem demora” [1].
O pedido veio apresentado como anexo de uma proposta de 46 milhões de dólares para sustentar as intervenções militares no Afeganistão e no Iraque. Tudo isso é emblemático: para Washington, as relações com o México são mais uma peça do quebra-cabeça bélico global. A guerra continua sendo o poder constituinte a partir do qual se quer traçar a nova geografia planetária. O método também antecipa como vão ser conduzidas as coisas: o anúncio da iniciativa foi unilateral, apesar de se tratar de um programa binacional.
O projeto de cooperação foi batizado de “Iniciativa Mérida”, ainda que durante meses tenha se falado da proposta de colaboração como “Plano México”, um título que evocava, negativamente, o Plano Colômbia. A idéia é apresentá-lo assim como resultado da reunião efetuada na cidade mexicana de Mérida (Yucatán) entre os presidentes dos Estados Unidos e do México, em março de 2007.
Embora nos Estados Unidos a notícia tenha tido pouca repercussão, no México ela provocou uma grande agitação da mídia. Legisladores americanos se queixaram de não ter sido consultados. As câmaras de senadores e deputados do México convocaram a chanceler para que explique os compromissos assumidos pelo governo mexicano.
Colheita sangrenta
A cabeça cortada de Mario Núñez Magaña, comandante da Polícia Federal Preventiva de Acapulco, apareceu na porta dos escritórios da Secretaria de Administração e Finanças do governo de Guerrero. Era dia 20 de fevereiro de 2006. Um bilhete advertia: “Para que aprendam a respeitar”. Não foi o único caso de decapitação da temporada. Cabeças sem corpo têm aparecido em outras cidades mexicanas.
O espetáculo macabro é parte da guerra entre os mais poderosos cartéis da droga no México, que disputam entre si os pontos e rotas do tráfico de drogas. Suas principais vítimas são assassinos de aluguel ou policiais a serviço das organizações criminosas.
Segundo o governo mexicano, existem sete grandes grupos de narcotraficantes. Os mais importantes, do Golfo, de Sinaloa e de Juárez, estão implantados em quase todo o território nacional. Recentemente, firmaram alianças entre si. O cartel de Juárez fez um acordo com o do Golfo. Vários outros mais se associaram na chamada “La Federación”.
Entretanto, a violência é incontrolável. Nos primeiros dez meses de 2007, foram realizadas 2.113 execuções. Em 2006, o número de mortos também havia superado os 2 mil. As cifras deste ano compreendem o assassinato de 220 membros das forças de segurança. Cinco estados, Guerrero, Nuevo León, Michoacán, Sinaloa e Sonora, concentram os maiores índices. As facções têm reciclado velhos cultos para honrar seus mortos. Monterrey, capital do rico estado de Nuevo León, sedia uma das mais sanguinolentas lutas entre os cartéis do Golfo e de Sinaloa. As execuções, tiroteios e seqüestros proliferam. Há três meses, a dezesseis quilômetros da fronteira com os Estados Unidos, na estrada que vai dessa cidade a Nuevo Laredo (Tamaulipas), apareceram 21 altares dedicados a Santa Muerte. Nas capelas vêem-se flores, mensagens, charutos, garrafas de bebida, terços, velas acesas, santinhos, fotografias, quadros da Santísima Muerte [2].
Dinheiro ou chumbo
O México é um importante produtor de drogas e território de passagem para a distribuição nos Estados Unidos. O país é o principal fornecedor de maconha e um dos mais importantes provedores de metanfetamina. Embora sua produção de heroína seja relativamente pequena, ele abastece parte importante do consumo de seu vizinho ao norte. O Departamento de Estado norte-americano avalia que 90% da cocaína vendida no país chega através do México.
A cocaína é vendida na Colômbia a 2.500 dólares o quilo. No México, alcança um preço de 8.500 dólares. Ao atravessar a fronteira com os Estados Unidos, sobe para 12 mil dólares. Nos mercados de Nova York e Los Angeles chega a 40 mil dólares.
O narcotráfico no México mudou de cara nas últimas décadas. Agora, os cartéis não só buscam proteção, como também poder político. Se antes negociavam sob uma condição de subordinação à autoridade, hoje são capazes de estabelecer regras em questões econômicas, sociais e políticas. Em 1989, produziu-se uma mudança importante no modelo de relação entre os cartéis dominantes da droga — os de Cali e Medellín — e seus parceiros mexicanos. Até então, os colombianos pagavam por proteção com dinheiro. Daí em diante, o pagamento passou a ser feito com droga. Modificou-se assim a dinâmica de operação dos mexicanos, que não contavam com muito pessoal em sua infra-estrutura. A necessidade de comercializar a droga os fez crescer. Desse momento em diante, o México deixou de ser um país de tráfico para converter-se também em país de consumo [3].
Os cartéis colombianos e mexicanos lavam atualmente no México entre 8 e 25 bilhões de dólares [4]. A ganância os obrigou a pôr em prática um novo esquema de lavagem, investindo em uma grande quantidade de negócios. O dinheiro do narcotráfico em atividades lícitas levou a que diversos setores da sociedade dele se beneficiassem, com melhores preços e condições de aporte financeiro. A fartura gerou redes de cumplicidade. Segundo o National Drug Intelligence Center, quem domina o mercado de drogas nos Estados Unidos são os cartéis mexicanos. Mas, de acordo com José Luis Vasconcelos, vice-procurador-geral da república do México em 2006, são os colombianos que detêm o controle do tráfico. Em 19 de janeiro deste ano, o governo mexicano divulgou a extradição de quinze supostos criminosos, entre os quais importantes chefões. Entre janeiro e agosto de 2007, o número de extradições chegou a 64, ainda que a controversa medida tenha violado o limite legal estabelecido.
Para enfrentar o desafio, os departamentos governamentais encarregados de enfrentar o comércio de entorpecentes mudaram o esquema de operação. A estrutura da Procuradoria-Geral da República se modificou. A participação das forças armadas aumentou, inclusive com a criação de áreas especializadas. Foi formada uma Polícia Federal Preventiva e as autoridades dos governos estaduais e municipais agora têm funções maiores na luta contra o narcotráfico. A cooperação e o intercâmbio de informação com a comunidade internacional cresceram. Simultaneamente, modificaram-se o sistema de justiça penal e os processos penais. Mais recursos humanos, materiais e financeiros foram alocados. Contudo, os resultados deixaram a desejar. Armados de dinheiro e chumbo, os narcotraficantes penetraram significativamente em áreas-chave do Estado mexicano.
O muro virtual
George W. Bush descreveu a fronteira com o México como “perigosa” e anunciou a construção de um novo muro. “Temos uma cerca, mas vamos ter uma barreira virtual quando trouxermos tecnologia aos melhores agentes para proteger a fronteira, pela qual cruzam tanto as almas inocentes simplesmente em busca de trabalho quanto os que tentam passar drogas” [5]. Para erguer esse novo muro, Washington gastará 139 milhões de dólares. Aviões sem piloto, câmeras infravermelhas e 12.500 agentes de fronteira vigiarão o território do país da Estátua da Liberdade. Uma barreira de doze quilômetros será construída na cidade de San Diego; outras cidades serão protegidas com alambrados.
A nova barreira é parte de uma política que faz da questão migratória um assunto de segurança nacional e dos que não têm documentos, criminosos. Nos últimos treze anos, desde que entrou em funcionamento a chamada “Operación Guardián”, mais de 4 mil mexicanos sem documentos foram mortos ao tentar entrar nos Estados Unidos. Afogados, ou mortos de sede e calor no deserto, muitos cadáveres nem ao menos alcançam a dignidade de ter um nome e constituem apenas mais uma cifra na contabilidade de vítimas. Outros morrem de forma diferente. Como José Alejandro Cruz, abatido a tiros. Seu assassino foi um agente da Patrulha Fronteiriça, em El Paso, Texas, em 8 de agosto último. Ele tinha 23 anos de idade e era operário do setor têxtil. Seu crime: estar sem passaporte e reclamar a soltura de uma mulher prestes a ser deportada, detida pelos guardas.
O México, assegura o Banco Mundial em seu Relatório mundial 2006: igualdade e desenvolvimento (no qual, provavelmente por modéstia, não reconhece a enorme responsabilidade que detém na questão), é a nação líder em exportação de mão-de-obra no mundo: 2 milhões de pessoas no qüinqüênio 1995-2000. A média anual de imigrantes sem documento que se dirigem aos Estados Unidos é de quase meio milhão.
O caso de José Alejandro Cruz é mais um exemplo da paralisia do governo mexicano na hora de defender seus conterrâneos nos Estados Unidos. A Iniciativa Mérida, na verdade, pretende que esse “trabalho sujo” seja feito do lado mexicano. A mais de 3 mil quilômetros de distância da fronteira com os Estados Unidos, em Tenosique, Tabasco, guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos recebem da polícia mexicana um tratamento similar ao que os mexicanos padecem nos Estados Unidos. Em 14 de agosto último, elementos da Polícia Federal Preventiva e agentes de migração, com o apoio do exército, investiram contra cerca de 3 mil centro-americanos. Estes encontravam-se encalhados em comunidades como Faisán Vía, porque a ferrovia Chiapas-Mayab suspendeu as atividades, após a empresa Genesee & Wyoming ter decretado a falência da linha. Os agentes de migração atearam fogo às pequenas tendas onde os indocumentados acampavam, ao mesmo tempo em que atiravam para evitar que fugissem. Os detidos foram espancados e suas escassas propriedades, furtadas. O drama dos imigrantes centro-americanos é mais grave do que o vivido pelos mexicanos nos Estados Unidos. Antes de chegar a seu destino final, têm de atravessar o México, sofrer extrema penúria, a extorsão policial e expor-se a assaltos e estupros.
Os conflitos armados na região, os efeitos devastadores dos furacões Match e Stan registrados em 1998 e 2005 e a crise dos preços do café a partir de 1989 levaram ao deslocamento de refugiados para o México. Entre 2000 e 2006, foram expulsas do México mais de 1,2 milhão de pessoas. Pelo menos 314 imigrantes de Guatemala, El Salvador e Honduras morreram este ano ao cruzar o México ou dentro dos Estados Unidos.
Em sua fronteira sul, o governo mexicano já faz o trabalho sujo para a administração Bush. Ele se converteu na polícia deste último: manda para a prisão os que prestam ajuda aos imigrantes, enquanto seus guardas investem sobre os indocumentados da América Central. Nisso consiste a Iniciativa Mérida: intensificar e aperfeiçoar o trabalho sujo nas duas fronteiras, mantendo o problema, na medida do possível, fora do território americano.
Militarização da política
Felipe Calderón deu início ao mandato de seis anos, em 2006, com uma parada militar. Transcorridos onze meses desde que o novo inquilino do palácio de Los Pinos assumiu o cargo, o que se destaca na administração presidencial é o gosto pelos uniformes militares, as fanfarras e os atos públicos, tendo as forças armadas por pano de fundo. No último 3 de janeiro, em Apatzingán, durante sua primeira aparição pública do ano, Calderón se fez retratar com uniforme de campanha, um quepe militar de cinco estrelas e o escudo nacional.
Acossado por manifestações civis que contestam seu triunfo eleitoral, o presidente mexicano deseja romper o isolamento social e a falta de legitimidade usando como pretexto a guerra ao narcotráfico. Desde o início de seu mandato, Calderón tem tentado fazer do exército seu principal sustentáculo, transmitindo mensagens de autoridade e disciplina. Cerca de 24 mil soldados e policiais federais foram enviados a nove estados para enfrentar os cartéis. A medida, ainda que eficaz em fazer crer à opinião pública que o enfrentamento do problema vai fundo, teve pouquíssimos efeitos práticos relevantes.
Decerto a guerra contra o narcotráfico está ocorrendo, mas não se trata apenas de um choque entre o Estado e o crime organizado, e sim de um grave confronto dentro do próprio Estado. Exemplo: ao chegar à zona de operações, a primeira coisa a ser feita pelos militares que participam de ações contra os cartéis é deter e desarmar a polícia. Isso constitui apenas uma pálida amostra do grau de penetração do narcotráfico no aparelho institucional, sendo que nem o exército está ileso. A guerra, sem dúvida, foi claramente utilizada para tentar calar as expressões de descontentamento popular.
Além do mais, a capacidade do exército foi questionada pelo secretário da Defesa. Em fins de outubro último, o general Guillermo Galván advertiu os integrantes da Comissão de Defesa da Câmara dos Deputados que os equipamentos e materiais militares das forças armadas estão obsoletos. Segundo ele, as únicas coisas que ainda prestam são as armas e os veículos e aviões que são vistos nos desfiles militares de 16 de setembro. As comunicações do exército estão atreladas à Telmex e a satélites privados. “Se alguém quiser, nos espiona”, advertiu Galván, que solicitou um aumento de 3,1 milhões de dólares no orçamento do exército para comprar aeronaves, renovar a frota de Hummers e trocar os radares, que atualmente só funcionam três horas por dia [6].
Reformas de segurança
O Programa de Cooperação contra o Crime Organizado, também conhecido como Iniciativa Mérida, guarda vínculos com três instâncias de cooperação regional: a Aliança para a Segurança e a Prosperidade da América do Norte (Aspan); o Comando Norte e o Plano Antinarcóticos da Fronteira Sudoeste.
A Aspan procura estabelecer uma aliança estratégica regional para fomentar a competitividade e a segurança da região. Seus antecedentes são o Tratado de Livre-Comércio para a América do Norte (TLCAN, México, Estados Unidos e Canadá) e a proposta de instrumentalizar um TLCAN suplementar.
Até o momento, foram efetuados três encontros no âmbito da Aspan. Suas Declarações Conjuntas estabelecem compromissos para o aperfeiçoamento da segurança na fronteira, no espaço aéreo e nas águas territoriais, a criação de um modelo comum para enfrentar ameaças extrarregionais e alianças em matéria de informação e inteligência. Desde o primeiro relatório, foi levantada a necessidade de um acordo trilateral na questão da segurança.
Em 2002, no contexto da guerra contra o terrorismo, os Estados Unidos procederam a uma de suas maiores reformas no âmbito da segurança. Entre as mudanças operadas encontra-se o estabelecimento do Comando Norte, as modificações no Centro de Comando das Forças Conjuntas e a fusão de comandos estratégicos e espaciais. O Comando Norte tem como antecedente um acordo firmado com o Canadá, em virtude do qual se criou o Comando Sul, responsável por proteger a zona nos planos comercial, de vigilância fronteiriça, de colaboração tecnológica e informativa e de coordenação dos serviços de inteligência e espionagem.
Em 2002, as forças armadas mexicanas determinaram que não se envolveriam no Comando Norte. Não obstante, recebem treinamento militar em Fort Bragg e Fort Benning, nos Estados Unidos. A força aérea conseguiu tecnologia para o desenvolvimento de uma plataforma de vigilância aérea e a marinha obteve contratorpedeiros.
Diversos analistas têm apontado que, como resultado dessa influência, o México criou um aparato policial à semelhança do FBI, formou corpos especiais do exército e estabeleceu instrumentos legais como a Lei de Segurança Nacional.
O Plano Antinarcóticos da Fronteira Sudoeste foi elaborado por um grupo subordinado ao Departamento de Segurança Interna, a Divisão Antinarcóticos e o Departamento da Justiça. Embora funcionando desde 2006, sua existência apenas foi levada a público em outubro deste ano. Entre suas prioridades encontra-se estabelecer um acordo para que oficiais americanos abordem embarcações com a bandeira mexicana que se encontrem em águas internacionais sem a necessidade de uma autorização específica do governo mexicano. Bem como fixar um programa de monitoramento aéreo da fronteira, em suspenso pela falta de um acordo mútuo relativo à situação dos operadores.
Um relatório do Congresso dos Estados Unidos indica que a operação e a estratégia do plano não haviam sido submetidas à consulta do México. Mesmo assim, formaliza uma queixa do Departamento do Tesouro quanto aos empecilhos que a lei mexicana impõe às autoridades norte-americanas para o bloqueio de bens financeiros. Menciona ainda um conjunto de recomendações da divisão de narcóticos da embaixada americana no México, concordando com as delineações da Iniciativa Mérida: assistência em infra-estrutura, treinamento, coordenação militar e apoio aéreo para apreensões e monitoração. Finalmente, estabelece a prioridade central do Pentágono: a participação do exército mexicano em um esquema de cooperação que passe da fase atual de treinamento e disposição de equipamentos para a de coordenação, que no meio é conhecido como interoperabilidade dos corpos militares [7].
[1] La Jornada, 23 de outubro de 2007.
[2] El Universal, 23 de outubro de 2007.
[3] Simón Vargas Aguillar, “¿Narcoestado o auge del narcotráfico?”, La Jornada, 23 de setembro de 2006.
[4] Collen W. Cook, Mexico’s Drug Cartels, CRS Report for Congress, Washington, 16 de outubro de 2007.
[5] La Jornada, 30 de novembro de 2005.
[6] La Jornada, 10 de outubro de 2007.
[7] Report to Congressional Requesters. Drug Control”, United States Government Accountability Office (GAO), Washington, agosto de 2007.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

BIAFRA

Outro exemplo dos terríveis efeitos das fronteiras artificiais foi a Guerra de Biafra no final dos anos 1960 e início da década seguinte. Província da Nigéria, Biafra é uma ex-colônia britânica que possui mais de 250 etnias. Em 1966, os ibos, uma dessas tribos, tomaram o poder, provocando o aumento das rivalidades contra iorubas e os hauçás. Em conseqüência de um contragolpe, os ibos foram massacrados no norte do país, onde são minoria. Eles deslocaram-se então para o leste da Nigéria, mais precisamente para a província de Biafra.


No ano seguinte, os ibos da província de Biafra declararam sua independência, aprofundando a guerra civil, que se prolongou até 1970. Um boicote econômico por partedas empresas petrolíferas ( a Nigéria é membro da Organização dos países exportadores de petróleo, a Opep) impediu o desenvolvimento do novo país e pôs fim ao projeto de separação dos ibos, já que tal divisão poderia trazer problemas para essas empresas.
Ao final do conflito, cerca de 1 milhão de biafrenses, quase todos ibos, haviam morrido, vitimados pela fome ou por doenças. A Nigéria, contudo, continuou como palco de golpes de Estado, liderados por chefes militares, o que tem tornado difícil a superação dos seus graves problemas internos.

domingo, 23 de novembro de 2008

A Iugoslávia: O vulcão dos Bálcãs


O território da Iugoslávia situava-se no Sudeste da Europa dentro da Península Balcânica. Enquanto existiu uma entidade nacional reconhecida internacionalmente, a iugoslávia possuía uma extensão de aproximadamente 255 mil Km2 (uma área um pouco maior que São Paulo - 248 mil Km2), e uma população de aproximadamente 25 milhões de habitantes (dados de 1991).

Até 1991 a Iugoslávia era composta internamente por seis repúblicas federadas.
  • Sérvia
  • Croácia
  • Eslovênia
  • Macedônia
  • Montenegro
  • Bósnia-Herzegovina, e duas regiões autonômas sob influência da república da Sérvia - Voivódina e Kosovo.

A Iugoslávia existiu como nação desde o final da primeira Guerra Mundial (1914/18) ATÉ 1991. Quando tomou forma um processo de desintegração do país, cujos contornos finais já foram definidos com a desintegração da Iugoslávia em vários países.


UM MOSAICO DE POVOS


A região da ex- Iugoslávia era habitada por vários povos. Os Sérvios eram o grupo mais numeroso, seguidos por Croatas, Eslovenos, Macedônios, Albaneses, Bósnios-Muçulmanos, além de minorias étnicas, sendo a mais numerosa a Montenegrina. O grupo dos Sérvios eram os mais disseminados pelo território da antiga Iugoslávia.

Os Sérvios eram Eslavos que chegaram a área no século VI e se converteram ao Cristianismo no contato com o Império Romano, estavam sobre influência de cristãos ortodoxos e utilizando um alfabeto Cirílico. Então, a Sérvia, a Macedônia e Montenegro, estavam sob o domínio do Império Bizantino (330-1453). Os Eslavos são um grupo étnico que compreende Russos, Ucranianos, Poloneses, Sérvios, Tchecos, Eslovacos.

O Império Romano do Ocidente manteve sob suas asas os Croatas, os Eslovenos e os Bósnios, povos que inicialmente conservaram o catolicismo e a escrita latina

A invasão Turca de 1389 (século XIV) - ocupou principalmente os territórios que hoje correspondem à Sérvia e a Bósnia, provocando a islamização, principalmente dos Bósnios. Já os territórios qur hoje correspondem à Eslovênia e à Croácia, estavam sob dominação da República de Veneza, de religião católica.

O objetivo dessas colocações iniciais de datas e nomes é para deixar três questões importantes:

  • A ex- Iugoslávia constitui uma área de fronteira ( e portanto de conflito) entre vários Impérios e culturas;

  • O "passa - passa" de territórios de mão em mão, sob o controle, ora de Bizantinos, ora Sérvios, ora Austríacos... criou um mosaico de povos.

  • Com a destruição do Império Otomano na segunda metade do século XIX, seus herdeiros geraram uma colcha e retalhos de povos, nacionalidades e religiões, que posteriormente iriam se efrentar em busca de novas fronteiras!!!

PALCO INICIAL DESSE CONFLITO:


- GUERRAS BALCÂNICAS (1912/13)

- PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914/18)


A formação do REINO dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, em 1918 constituído sob o patrocínio das potências vencedoras da primeira Guerra (França e Grã-Bretanha), foi fundamental para institucionalizar a MONARQUIA PARLAMENTAR.

Somente copiar as instituições dos países desenvolvidos não tiraria os novos Reinos da crise, mas sim construir estruturas sólidas. Isso o novo Reino não tinha.

No momento que Alexandre Kargeorgevic assumia o trono do novo Estado, as condições eram muito precárias:

  • 45% dos habitantes com mais de 10 anos de idade eram analfabetos;

  • A maioria da população se dedicava a agricultura;

  • 10% da força de trabalho estava empregada no artesanato e na indústria das maiores cidades Belgrado (Sérvia) e Zagrb (Croácia);

  • Cias Estrangeiras controlavam 80% do setor extrativo.

A dependência econômica e a instabilidade social não eram a única dor de cabeça do Rei Alexandre. A Sérvia era a dominadora e em dez anos de monarquia parlamentar, houve muita instabilidade. E, em 1929 o rei Alexandre com o apoio dos Sérvios dá um golpe de Estado. O país ganhava um novo nome IUGOSLÁVIA, ou terra dos Eslavos do Sul.


O TITOÍSMO

Em 1943 a Iugoslávia estava em plena Guerra Civil, e três forças se enfrentavam. Os CHETNIKS que eram pró-monarquistas, os USTACHIS ou "rebeldes" um grupo fascista da Croácia, a serviço da Alemanha, adotando políticas violentas de massacre aos Sérvios; e os PARTISANS, um grupo comunista liderado por Josip Broz Tito.

Em 1944 a vitória das tropas lideradas por Tito foi um marco, pois venceram a ocupação Alemã sem a ajuda Soviética. No ano de 1945, Tito derruba a monarquia e proclama a REPÚBLICA POPULAR DA IUGOSLÁVIA.

O marechal Tito não se alinhou à União Soviética, pois os PARTISANS eram contrários. Já que não contaram com a ajuda Soviética para vencer os Alemães e implantar o socialismo na Iugoslávia. Mesmo assim, Tito promoveu a socialização da economia e o centralismo estatal planificado


CONTINUAÇÃO DA SISTEMATIZAÇÃO DO CADERNO/ SEGUNDO ANO DO ENSINO MÉDIO.

Na África e na Ásia, os níveis de urbanização são muito baixos. Os países com população predominantemente urbana representam exceções. Algumas tiveram influência de sociedades que usavam o Mediterrâneo, como os países da África do Norte (Egito, Tunísia, Argélia, Marrocos....), ou então economias dinamizadas pela indústria como a África do Sul ou mesmo os Tigres Asiáticos (Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong....) ou, ainda economias petrolíferas de exportação como os países do Golfo Pérsico no Oriente Médio.
Níveis de urbanização baixos não significam pequena população urbana. A China, que tem nível de urbanização de "apenas" 37%, é o país com a maior população urbana do planeta. - cerca de 480 milhões de pessoas!!! A Índia, com menos de 30% da sua populção vivendo em cidades, tem quase 290 milhões de habitantes no meio urbano.
A urbanização avança em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, avança lentamente, pois a imensa maioria da população já vive nas cidades. Nos países subdesenvolvidos, avança rapidamente, sob o impacto do êxodo rural.. Os países mais pobres que ainda apresentam maioria da população no meio rural, exibem as maiores taxas de urbanização (porcentagem de crescimento da população urbana por unidade de tempo). As cidades em expansão exercem as funções de centros de comércio e serviços, oferecendo oportunidades de sobrevivência na economia informal. Também funcionam como pontes entre os mercados estrangeiros e a produção para exportação. O meio urbano se expande irreversivelmente, enquanto a velha sociedade rural se desintegra.

O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO - QUESTÕES DE VESTIBULAR.

GABARITO DAS QUESTÕES DE VESTIBULAR DO CAPÍTULO 9.
  1. LETRA B
  2. LETRA D
  3. LETRA C
  4. A) A PRINCIPAL TENDÊNCIA DEMOGRÁFICA É O AUMENTO ACELERADO DA POPULAÇÃO NOS PAÍSES SUBDESNVOLVIDOS DA ÁFRICA, ÁSIA E AMÉRICA LATINA, EM CONTRASTE COM A ESTAGNAÇÃO DO EFETIVO DEMOGRÁFICO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS. B) NA ÁFRICA, A POPULAÇÃO MAIS QUE DOBRARÁ EM MEIO SÉCULO, REFLETINDO AS ELEVADAS TAXAS DE CRESCIMENTO VEGETATIVO. NA EUROPA, A POPULAÇÃO CONHECERÁ REDUÇÃO, REFLETINDO AS TAXAS NEGATIVAS DE CRESCIMENTO VEGETATIVO.
  5. LETRA B
  6. LETRA C
  7. LETRA C
  8. LETRA A
  9. LETRA D
  10. I) A ; II) B
  11. LETRA A

O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DO CAPÍTULO 9.

  1. O conceito expressa a transição entre a situação caracterizada pela elevada mortalidade e pela elevada natalidade para outra, marcada pela baixa mortalidade e pela baixa natalidade. Como a mortalidade em geral recua antes que a natalidade, durante a fase de transição registram-se elevados índices de crescimentonnatural da população.
  2. A teoria malthusiana, surgida no contexto da transição demográfica da maioria dos países europeus, naturaliza a dinâmica demográfica das sociedades e defende que a miséria e s doenças são mecanismos naturais de controle do crescimento da espécie humana. A teoria neomalthusiana, que começou a ser difundida quando a transição demográfica elevava o crescimento da população dos países subdesenvolvidos,defende que a pobreza é resultante das altas taxas de incremento demográfico.
  3. Os países subdesenvolvidos vivem momentos diferentes da transição demográfica. Na América Latina, por exemplo, devido à urbanização, as taxas de natalidade apresentam sinais de decréscimo já há algumas décadas; na África subsaariana a tendência de declínio da natalidade só começou a se manifestar na década de 1990, e as taxas de crescimento natural da população continuam sendo as mais elevadas do Planeta. Assim, não existe uma dinâmica demográfica comum a todos os países subdesenvolvidos.
  4. A maior parte da PEA de um país é composta por adultos (20 a 59 anos). Assim, com o envelhecimento da população, ocorre uma diminuição relativa no contingente de pessoas em idade de trabalhar, fenômeno que já está em curso em diversos países europeus. Além disso, em países com porcentagem significativa de idosos em sua população, existe uma grande demanda por investimentos, tais como hospitais geriátricos e programas assistenciais. Na ausência desses investimentos, o envelhecimento da população yende a aumentar a exclusão econômica, social e cultural dos idosos.
  5. Nos países citados, a elevada expectativa de vida e presença de uma elevada porcentagem de idosos na população resulta em taxas de mortalidade superiores à média mundial.
  6. As pirâmides revelam o enorme incremento demográfico ocorrido no continente africano na segunda metade do século XX. Revelam ainda a persistência de taxas de natalidade elevadas e o predomínio absoluto de crianças e jovens na população.

URBANIZAÇÃO E REDES URBANAS

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DO CAPÍTULO 10.
  1. Urbanização é o processo de crescimento da população urbana em ritmo mais rápido que o da população rural. A urbanização brasileira apoiou-se essencialmente no êxodo rural. A repulsão da força de trabalho do campo decorre da mecanização agrícola e da persistência da concentração fundiária. A atração dessa população para as cidades decorre da presença de uma economia diversificada, que abre a possibilidade do trabalho sem vínculo empregatício, e dos serviços públicos de saúde e assistência social.

  2. De acordo com os critérios adotados no Brasil, população urbana é o conjunto da população residente nas sedes de município ou de distrito e nas demais áreas definidas como urbanas pelas legislações municipais. Entretanto, a imensa maioria das sedes de municípios brasileiros não dispõe dos equipamentos urbanos necessários para gerar bens e serviços capazes de polarizar uma determinada porção do território; por isso, ainda que sejam considerados urbanos, esses municípios não funcionam como vértices da rede urbana.

  3. Parte significativa do êxodo rural nordestino realizou-se sob a forma de migrações inter-regionais. Durante décadas, o movimento migratório para o Sudeste transferiu populações do campo nordestino para as cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Atrás desse fenômeno encontra-se o processo de modernização urbano-industrial e integração territorial do país.

  4. LETRA E

  5. a) O gráfico apresentado na questão exemplifica, na escala estadual, o processo de urbanização regional reratado no gráfico que aparece no capítulo. Em termos gerais, eles mostram que a urbanização começou antes e foi mais intensa no Sudeste. Também mostram que a urbanização do Centro-Oeste e do Sul acelerou-se na década de 1970, oq ue não ocorreu com a mesma intensidades no Nordeste e Norte.

b) Em função do crescimento industrial e da modernização agrícola, a urbanização do estado de São Paulo é mais antiga e mais intensa que a dos outros estados que aparecem no gráfico. Ela acelerou-se na década de 1960 e atualmente é mais lenta, pois se encontra em seu estágio final.


c) A urbanização do estado de Goiás acelerou-se na década de 1960, quando as taxas da população urbana ultrapassaram as do Paraná. A urbanização do Paraná acelerou-se na década de 1970, impulsionada pela concentração fundiária e mecanização agrícola, adquirindo ritmo similar à de Goiás. Atualmente as taxas de população urbana de ambos encontram-se muito próximas, com pequena dianteira para Goiás.


d) A urbanização no estado do Pará desacelerou-se desde a década de 1970, em função da abertura de frentes pioneiras agrícolas no leste e no sul do estado. Essa desaceleração permitiu que as taxas de urbnização da Bahia ultrapassassem as do Pará. Na última década, ocorreu uma desaceleração na urbanização da Bahia, em função da abertura de frentes pioneiras agrícolas no oeste do estado.


6. a) Há um desnível crescente na capacidade de polarização das duas principais metrópoles brasileiras. A influência de São Paulo, que já era hegemônica, ganhou novo impulso com a aceleração dos fluxos associados à globalização e difunde-se intensamente por todas as regiões do país. A influência do Rio de janeiro, por sua vez, foi atingida negativamente pela privatização de empresas estatais que mantinham as suas sedes na antiga capital. A centralização do mercado acionário brasileiro em São Paulo reforça ainda mais esse desnível.


b) As cidades globais são centros nodais das finanças internacionais, do comércio mundializado, dos serviços internacionais de consultoria especializada e das instituições públicas multilaterais. Na América Latina, São Paulo, Buenos Aires e a cidade do México desempenham limitadamente funções de cidade global, conectando os territórios nacionais aos fluxos mundiais de capitais e às redes administrativas das corporações transnacionais. No caso do Rio de Janeiro, contudo, a retração histórica da capacidade de polarização é um entrave para a aplicação do conceito de cidade global.


7. Durante décadas, a Amazônia funcionou como grande fronteira demográfica nacional, recebendo fluxos de migrantes oriundos do Centro-Sul e do Nordeste. Esses migrantes mantêm relações com seus lugares de origem, que se expressam em comunicações com familiares e conhecidos e viagens de visitas às cidades natais. Os migrantes funcionam, assim, como veículos da influência crescente das metrópoles do Centro-Sul e do Nordeste sobre vastas áreas amazônicas.


8. a) As regiões metropolitanas forma definidas como estruturas territoriais especiais, formadas pelas principais cidades do país e pelas aglomerações a elas conurbadas. Tais estruturas deveriam configurar unidades de planejamento do desenvolvimento urbano.


b) A criação das regiões metropolitanas, no início da década de 1970, representou o reconhecimento da importância social e territorial dos processos de conurbação que se realizavam em torno das principais merópoles do país.


9. a) O mapa mostra a localização dos núcleos urbanos que são sedes de municípios no estado do Paraná.


b) O mapa revela que a maior concentração de sedes de município localiza-se no norte do estado, onde ocorre nítido processo de conurbação. Esse proceso de conurbação justifica a criação das regiões metropolitanas nucleadas por Londrina e Maringá.


10. O texto apresenta as duas causas principais para a configuração da megalópole brasileira. Os obstáculos naturais - as serras do Mar e da Mantiqueira - definiram o eixo de circulação do Vale do Paraíba, situado enre as metrópoles nacionais. Trechos da via regional de circulação, a Rodovia Presidente Dutra, foram incorporados como vias de transporte intra-urbano pelas metrópoles e cidades médias do Vale do Paraíba, acarretando expansão linear das manchas urbanas ao longo desse eixo.

11. LETRA B