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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

BIAFRA

Outro exemplo dos terríveis efeitos das fronteiras artificiais foi a Guerra de Biafra no final dos anos 1960 e início da década seguinte. Província da Nigéria, Biafra é uma ex-colônia britânica que possui mais de 250 etnias. Em 1966, os ibos, uma dessas tribos, tomaram o poder, provocando o aumento das rivalidades contra iorubas e os hauçás. Em conseqüência de um contragolpe, os ibos foram massacrados no norte do país, onde são minoria. Eles deslocaram-se então para o leste da Nigéria, mais precisamente para a província de Biafra.


No ano seguinte, os ibos da província de Biafra declararam sua independência, aprofundando a guerra civil, que se prolongou até 1970. Um boicote econômico por partedas empresas petrolíferas ( a Nigéria é membro da Organização dos países exportadores de petróleo, a Opep) impediu o desenvolvimento do novo país e pôs fim ao projeto de separação dos ibos, já que tal divisão poderia trazer problemas para essas empresas.
Ao final do conflito, cerca de 1 milhão de biafrenses, quase todos ibos, haviam morrido, vitimados pela fome ou por doenças. A Nigéria, contudo, continuou como palco de golpes de Estado, liderados por chefes militares, o que tem tornado difícil a superação dos seus graves problemas internos.

domingo, 23 de novembro de 2008

A Iugoslávia: O vulcão dos Bálcãs


O território da Iugoslávia situava-se no Sudeste da Europa dentro da Península Balcânica. Enquanto existiu uma entidade nacional reconhecida internacionalmente, a iugoslávia possuía uma extensão de aproximadamente 255 mil Km2 (uma área um pouco maior que São Paulo - 248 mil Km2), e uma população de aproximadamente 25 milhões de habitantes (dados de 1991).

Até 1991 a Iugoslávia era composta internamente por seis repúblicas federadas.
  • Sérvia
  • Croácia
  • Eslovênia
  • Macedônia
  • Montenegro
  • Bósnia-Herzegovina, e duas regiões autonômas sob influência da república da Sérvia - Voivódina e Kosovo.

A Iugoslávia existiu como nação desde o final da primeira Guerra Mundial (1914/18) ATÉ 1991. Quando tomou forma um processo de desintegração do país, cujos contornos finais já foram definidos com a desintegração da Iugoslávia em vários países.


UM MOSAICO DE POVOS


A região da ex- Iugoslávia era habitada por vários povos. Os Sérvios eram o grupo mais numeroso, seguidos por Croatas, Eslovenos, Macedônios, Albaneses, Bósnios-Muçulmanos, além de minorias étnicas, sendo a mais numerosa a Montenegrina. O grupo dos Sérvios eram os mais disseminados pelo território da antiga Iugoslávia.

Os Sérvios eram Eslavos que chegaram a área no século VI e se converteram ao Cristianismo no contato com o Império Romano, estavam sobre influência de cristãos ortodoxos e utilizando um alfabeto Cirílico. Então, a Sérvia, a Macedônia e Montenegro, estavam sob o domínio do Império Bizantino (330-1453). Os Eslavos são um grupo étnico que compreende Russos, Ucranianos, Poloneses, Sérvios, Tchecos, Eslovacos.

O Império Romano do Ocidente manteve sob suas asas os Croatas, os Eslovenos e os Bósnios, povos que inicialmente conservaram o catolicismo e a escrita latina

A invasão Turca de 1389 (século XIV) - ocupou principalmente os territórios que hoje correspondem à Sérvia e a Bósnia, provocando a islamização, principalmente dos Bósnios. Já os territórios qur hoje correspondem à Eslovênia e à Croácia, estavam sob dominação da República de Veneza, de religião católica.

O objetivo dessas colocações iniciais de datas e nomes é para deixar três questões importantes:

  • A ex- Iugoslávia constitui uma área de fronteira ( e portanto de conflito) entre vários Impérios e culturas;

  • O "passa - passa" de territórios de mão em mão, sob o controle, ora de Bizantinos, ora Sérvios, ora Austríacos... criou um mosaico de povos.

  • Com a destruição do Império Otomano na segunda metade do século XIX, seus herdeiros geraram uma colcha e retalhos de povos, nacionalidades e religiões, que posteriormente iriam se efrentar em busca de novas fronteiras!!!

PALCO INICIAL DESSE CONFLITO:


- GUERRAS BALCÂNICAS (1912/13)

- PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914/18)


A formação do REINO dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, em 1918 constituído sob o patrocínio das potências vencedoras da primeira Guerra (França e Grã-Bretanha), foi fundamental para institucionalizar a MONARQUIA PARLAMENTAR.

Somente copiar as instituições dos países desenvolvidos não tiraria os novos Reinos da crise, mas sim construir estruturas sólidas. Isso o novo Reino não tinha.

No momento que Alexandre Kargeorgevic assumia o trono do novo Estado, as condições eram muito precárias:

  • 45% dos habitantes com mais de 10 anos de idade eram analfabetos;

  • A maioria da população se dedicava a agricultura;

  • 10% da força de trabalho estava empregada no artesanato e na indústria das maiores cidades Belgrado (Sérvia) e Zagrb (Croácia);

  • Cias Estrangeiras controlavam 80% do setor extrativo.

A dependência econômica e a instabilidade social não eram a única dor de cabeça do Rei Alexandre. A Sérvia era a dominadora e em dez anos de monarquia parlamentar, houve muita instabilidade. E, em 1929 o rei Alexandre com o apoio dos Sérvios dá um golpe de Estado. O país ganhava um novo nome IUGOSLÁVIA, ou terra dos Eslavos do Sul.


O TITOÍSMO

Em 1943 a Iugoslávia estava em plena Guerra Civil, e três forças se enfrentavam. Os CHETNIKS que eram pró-monarquistas, os USTACHIS ou "rebeldes" um grupo fascista da Croácia, a serviço da Alemanha, adotando políticas violentas de massacre aos Sérvios; e os PARTISANS, um grupo comunista liderado por Josip Broz Tito.

Em 1944 a vitória das tropas lideradas por Tito foi um marco, pois venceram a ocupação Alemã sem a ajuda Soviética. No ano de 1945, Tito derruba a monarquia e proclama a REPÚBLICA POPULAR DA IUGOSLÁVIA.

O marechal Tito não se alinhou à União Soviética, pois os PARTISANS eram contrários. Já que não contaram com a ajuda Soviética para vencer os Alemães e implantar o socialismo na Iugoslávia. Mesmo assim, Tito promoveu a socialização da economia e o centralismo estatal planificado


CONTINUAÇÃO DA SISTEMATIZAÇÃO DO CADERNO/ SEGUNDO ANO DO ENSINO MÉDIO.

Na África e na Ásia, os níveis de urbanização são muito baixos. Os países com população predominantemente urbana representam exceções. Algumas tiveram influência de sociedades que usavam o Mediterrâneo, como os países da África do Norte (Egito, Tunísia, Argélia, Marrocos....), ou então economias dinamizadas pela indústria como a África do Sul ou mesmo os Tigres Asiáticos (Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong....) ou, ainda economias petrolíferas de exportação como os países do Golfo Pérsico no Oriente Médio.
Níveis de urbanização baixos não significam pequena população urbana. A China, que tem nível de urbanização de "apenas" 37%, é o país com a maior população urbana do planeta. - cerca de 480 milhões de pessoas!!! A Índia, com menos de 30% da sua populção vivendo em cidades, tem quase 290 milhões de habitantes no meio urbano.
A urbanização avança em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, avança lentamente, pois a imensa maioria da população já vive nas cidades. Nos países subdesenvolvidos, avança rapidamente, sob o impacto do êxodo rural.. Os países mais pobres que ainda apresentam maioria da população no meio rural, exibem as maiores taxas de urbanização (porcentagem de crescimento da população urbana por unidade de tempo). As cidades em expansão exercem as funções de centros de comércio e serviços, oferecendo oportunidades de sobrevivência na economia informal. Também funcionam como pontes entre os mercados estrangeiros e a produção para exportação. O meio urbano se expande irreversivelmente, enquanto a velha sociedade rural se desintegra.

O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO - QUESTÕES DE VESTIBULAR.

GABARITO DAS QUESTÕES DE VESTIBULAR DO CAPÍTULO 9.
  1. LETRA B
  2. LETRA D
  3. LETRA C
  4. A) A PRINCIPAL TENDÊNCIA DEMOGRÁFICA É O AUMENTO ACELERADO DA POPULAÇÃO NOS PAÍSES SUBDESNVOLVIDOS DA ÁFRICA, ÁSIA E AMÉRICA LATINA, EM CONTRASTE COM A ESTAGNAÇÃO DO EFETIVO DEMOGRÁFICO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS. B) NA ÁFRICA, A POPULAÇÃO MAIS QUE DOBRARÁ EM MEIO SÉCULO, REFLETINDO AS ELEVADAS TAXAS DE CRESCIMENTO VEGETATIVO. NA EUROPA, A POPULAÇÃO CONHECERÁ REDUÇÃO, REFLETINDO AS TAXAS NEGATIVAS DE CRESCIMENTO VEGETATIVO.
  5. LETRA B
  6. LETRA C
  7. LETRA C
  8. LETRA A
  9. LETRA D
  10. I) A ; II) B
  11. LETRA A

O CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DO CAPÍTULO 9.

  1. O conceito expressa a transição entre a situação caracterizada pela elevada mortalidade e pela elevada natalidade para outra, marcada pela baixa mortalidade e pela baixa natalidade. Como a mortalidade em geral recua antes que a natalidade, durante a fase de transição registram-se elevados índices de crescimentonnatural da população.
  2. A teoria malthusiana, surgida no contexto da transição demográfica da maioria dos países europeus, naturaliza a dinâmica demográfica das sociedades e defende que a miséria e s doenças são mecanismos naturais de controle do crescimento da espécie humana. A teoria neomalthusiana, que começou a ser difundida quando a transição demográfica elevava o crescimento da população dos países subdesenvolvidos,defende que a pobreza é resultante das altas taxas de incremento demográfico.
  3. Os países subdesenvolvidos vivem momentos diferentes da transição demográfica. Na América Latina, por exemplo, devido à urbanização, as taxas de natalidade apresentam sinais de decréscimo já há algumas décadas; na África subsaariana a tendência de declínio da natalidade só começou a se manifestar na década de 1990, e as taxas de crescimento natural da população continuam sendo as mais elevadas do Planeta. Assim, não existe uma dinâmica demográfica comum a todos os países subdesenvolvidos.
  4. A maior parte da PEA de um país é composta por adultos (20 a 59 anos). Assim, com o envelhecimento da população, ocorre uma diminuição relativa no contingente de pessoas em idade de trabalhar, fenômeno que já está em curso em diversos países europeus. Além disso, em países com porcentagem significativa de idosos em sua população, existe uma grande demanda por investimentos, tais como hospitais geriátricos e programas assistenciais. Na ausência desses investimentos, o envelhecimento da população yende a aumentar a exclusão econômica, social e cultural dos idosos.
  5. Nos países citados, a elevada expectativa de vida e presença de uma elevada porcentagem de idosos na população resulta em taxas de mortalidade superiores à média mundial.
  6. As pirâmides revelam o enorme incremento demográfico ocorrido no continente africano na segunda metade do século XX. Revelam ainda a persistência de taxas de natalidade elevadas e o predomínio absoluto de crianças e jovens na população.

URBANIZAÇÃO E REDES URBANAS

GABARITO DOS EXERCÍCIOS DO CAPÍTULO 10.
  1. Urbanização é o processo de crescimento da população urbana em ritmo mais rápido que o da população rural. A urbanização brasileira apoiou-se essencialmente no êxodo rural. A repulsão da força de trabalho do campo decorre da mecanização agrícola e da persistência da concentração fundiária. A atração dessa população para as cidades decorre da presença de uma economia diversificada, que abre a possibilidade do trabalho sem vínculo empregatício, e dos serviços públicos de saúde e assistência social.

  2. De acordo com os critérios adotados no Brasil, população urbana é o conjunto da população residente nas sedes de município ou de distrito e nas demais áreas definidas como urbanas pelas legislações municipais. Entretanto, a imensa maioria das sedes de municípios brasileiros não dispõe dos equipamentos urbanos necessários para gerar bens e serviços capazes de polarizar uma determinada porção do território; por isso, ainda que sejam considerados urbanos, esses municípios não funcionam como vértices da rede urbana.

  3. Parte significativa do êxodo rural nordestino realizou-se sob a forma de migrações inter-regionais. Durante décadas, o movimento migratório para o Sudeste transferiu populações do campo nordestino para as cidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Atrás desse fenômeno encontra-se o processo de modernização urbano-industrial e integração territorial do país.

  4. LETRA E

  5. a) O gráfico apresentado na questão exemplifica, na escala estadual, o processo de urbanização regional reratado no gráfico que aparece no capítulo. Em termos gerais, eles mostram que a urbanização começou antes e foi mais intensa no Sudeste. Também mostram que a urbanização do Centro-Oeste e do Sul acelerou-se na década de 1970, oq ue não ocorreu com a mesma intensidades no Nordeste e Norte.

b) Em função do crescimento industrial e da modernização agrícola, a urbanização do estado de São Paulo é mais antiga e mais intensa que a dos outros estados que aparecem no gráfico. Ela acelerou-se na década de 1960 e atualmente é mais lenta, pois se encontra em seu estágio final.


c) A urbanização do estado de Goiás acelerou-se na década de 1960, quando as taxas da população urbana ultrapassaram as do Paraná. A urbanização do Paraná acelerou-se na década de 1970, impulsionada pela concentração fundiária e mecanização agrícola, adquirindo ritmo similar à de Goiás. Atualmente as taxas de população urbana de ambos encontram-se muito próximas, com pequena dianteira para Goiás.


d) A urbanização no estado do Pará desacelerou-se desde a década de 1970, em função da abertura de frentes pioneiras agrícolas no leste e no sul do estado. Essa desaceleração permitiu que as taxas de urbnização da Bahia ultrapassassem as do Pará. Na última década, ocorreu uma desaceleração na urbanização da Bahia, em função da abertura de frentes pioneiras agrícolas no oeste do estado.


6. a) Há um desnível crescente na capacidade de polarização das duas principais metrópoles brasileiras. A influência de São Paulo, que já era hegemônica, ganhou novo impulso com a aceleração dos fluxos associados à globalização e difunde-se intensamente por todas as regiões do país. A influência do Rio de janeiro, por sua vez, foi atingida negativamente pela privatização de empresas estatais que mantinham as suas sedes na antiga capital. A centralização do mercado acionário brasileiro em São Paulo reforça ainda mais esse desnível.


b) As cidades globais são centros nodais das finanças internacionais, do comércio mundializado, dos serviços internacionais de consultoria especializada e das instituições públicas multilaterais. Na América Latina, São Paulo, Buenos Aires e a cidade do México desempenham limitadamente funções de cidade global, conectando os territórios nacionais aos fluxos mundiais de capitais e às redes administrativas das corporações transnacionais. No caso do Rio de Janeiro, contudo, a retração histórica da capacidade de polarização é um entrave para a aplicação do conceito de cidade global.


7. Durante décadas, a Amazônia funcionou como grande fronteira demográfica nacional, recebendo fluxos de migrantes oriundos do Centro-Sul e do Nordeste. Esses migrantes mantêm relações com seus lugares de origem, que se expressam em comunicações com familiares e conhecidos e viagens de visitas às cidades natais. Os migrantes funcionam, assim, como veículos da influência crescente das metrópoles do Centro-Sul e do Nordeste sobre vastas áreas amazônicas.


8. a) As regiões metropolitanas forma definidas como estruturas territoriais especiais, formadas pelas principais cidades do país e pelas aglomerações a elas conurbadas. Tais estruturas deveriam configurar unidades de planejamento do desenvolvimento urbano.


b) A criação das regiões metropolitanas, no início da década de 1970, representou o reconhecimento da importância social e territorial dos processos de conurbação que se realizavam em torno das principais merópoles do país.


9. a) O mapa mostra a localização dos núcleos urbanos que são sedes de municípios no estado do Paraná.


b) O mapa revela que a maior concentração de sedes de município localiza-se no norte do estado, onde ocorre nítido processo de conurbação. Esse proceso de conurbação justifica a criação das regiões metropolitanas nucleadas por Londrina e Maringá.


10. O texto apresenta as duas causas principais para a configuração da megalópole brasileira. Os obstáculos naturais - as serras do Mar e da Mantiqueira - definiram o eixo de circulação do Vale do Paraíba, situado enre as metrópoles nacionais. Trechos da via regional de circulação, a Rodovia Presidente Dutra, foram incorporados como vias de transporte intra-urbano pelas metrópoles e cidades médias do Vale do Paraíba, acarretando expansão linear das manchas urbanas ao longo desse eixo.

11. LETRA B

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

CHINA: “A ECONOMIA SOCIALISTA DE MERCADO”

A China é hoje um país com dois sistemas econômicos amalgamados por um único sistema político, a ditadura de partido único, que ainda persiste. Os próprios dirigentes chineses definem seu país como uma economia “socialista de mercado”. Que “bicho” é esse? A China é a economia que, ao longo dos anos 90, mais tem crescido no mundo, enquanto a União Soviética, seu modelo inicial, desapareceu. O país já é uma das maiores economias do planeta e cada vez mais o mercado mundial é invadido por produtos made in China. Para entendermos esses fatos, vamos fazer um retrospecto da história do dragão do século XXI.
Apesar da proclamação da República, o país continuou mergulhado no caos político, econômico e social. O poder permanecia fragmentado. Muitas regiões estavam sob o controle de lideranças locais. Pequim controlava apenas uma pequena parte do país e mantinham-se os laços de dependência com as potências estrangeiras.
Foi por essa época que surgiu uma incipiente industrialização, coma a chegada de capitais estrangeiros interessados em aproveitar-se da mão-de-obra muito barata e da abundância de matérias-primas. Começaram a ser instaladas algumas fábricas nas principais cidades do país, com destaque para Xangai. Uma industrialização dependente prosperava muito lentamente na China, que continuava um país de camponeses dominado por estrangeiros. Com a invasão japonesa e a guerra civil, esse incipiente processo de industrialização foi abortado. Já na Primeira Guerra Mundial os japoneses juntaram-se às potências ocidentais e ocuparam a região de Shantung, no nordeste do território chinês.
Entre a intelectualidade chinesa, desiludida com a ideologia liberal e diante da impossibilidade de desenvolvimento dentro de um modelo capitalista dependente, ganharam força as idéias revolucionárias. Além de receber influência da Revolução Russa, essas idéias juntavam-se agora aos sentimentos nacionalista e anticolonial que fez surgir, em 1921, o Partido Comunista Chinês (PCC), tendo como um dos fundadores Mão Tse-Tung, seu futuro líder.
Em 1925, o Kuomintang (Partido Nacional Chinês) passa a ser controlado por Chiang Kai-Shek. Depois de uma breve convivência pacífica, em 1927 o governo nacionalista colocou o PCC na ilegalidade, iniciando uma guerra civil entre comunistas e nacionalistas que se estenderia, com breves interrupções para combater os japoneses, até o fim da década de 40. Depois de unificar o país, em 1928, Chiang Kai-Shek passou a liderar o Governo Nacional da China com mão de ferro.
Em 1937, os japoneses declararam guerra total contra a China, atacando-a maciçamente. Chegaram a ocupar, próximo do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, pewrto de dois terços do território chinês. Todas as cidades mais importantes do país estavam sob seu controle. Somente nesse curto período de tempo houve um apaziguamento entre comunistas e nacionalistas, empenhados em derrotar os invasores japoneses. Assim, bastou o Japão assinar a sua rendição na Segunda Guerra Mundial para que a guerra civil na China se agravasse seriamente, caminhando para um desfecho definitivo. Depois de 22 anos de guerra civil, com breves interrupções, os comunistas do Exército de Libertação Popular, liderados por Mão Tse-tung, finalmente saíram vitoriosos. Em outubro de 1949, foi proclamada a República Popular da China. O país foi unificado sob o controle dos comunistas, comandados por Mão, então secretário-geral do PCC. Surgia então a China Comunista. Os nacionalistas, comandados por Chiang Kai-Shek, ao se refugiarem na ilha de Formosa, fundaram a República da China Nacionalista, também conhecida como Taiwan.

A CHINA COMUNISTA

A Revolução Chinesa de 1949 foi um grande divisor de águas na história do país, e isso já ficara evidente quando Mão Tse-tung, em discurso feito durante a proclamação da República, afirmou para uma multidão em Pequim: “O povo chinês se levantou (...); ninguém nos insultará novamente”.
Pelo menos no início, até mesmo por falta de opção, a China revolucionária seguiu o modelo político-econômico vigente na extinta União Soviética. Politicamente, com base na ideologia marxista-lininista, implantou-se um regime político centralizado sob o controle do Partido Comunista Chinês, cujo líder máximo era o secretário-geral, Mão Tse-tung. Economicamente, como resultado da coletivização das terras, implantaram-se gradativamente as comunas populares, que seguiam em linhas gerais, o modelo dos KOLKHOZES (Cooperativa agrícola da extinta União Soviética em que o Estado confiou parte das suas terras aos seus membros, com usufruto perpétuo e gratuito, o que os tornava co-proprietários) soviéticoa. O Estado passou a controlar também todas as fábricas e recursos naturais. No entanto, é interessante lembrar que a Revolução Chinesa, diferentemente da Revolução Russa, foi essencialmente camponesa.

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO

A China ao seguir o modelo soviético, passa a priorizar investimentos nas indústrias de base, na indústria bélica e em obras de infra-estrutura que sustentassem o processo de industrialização, e o campo?? Apesar de dispor de numoerosa mão-de-obra, de abundantes recursos minerais e fósseis, a industrialização chinesa mostrou-se um grande fracasso, desarticulando totalmente a economia industrial e agrícola do país.
A industrialização chinesa acabou padecendo dos mesmos males do modelo soviético: baixa produtividade, produção insuficiente, baixa qualidade, concentração de capitais no setor armamentista, burocratização, etc.
Além disso, a Revolução Cultural maoísta (1966-1976) acabou por agravar a crise econômica, gerando um verdadeiro caos político. Consistia em um esforço de transformação ideológica contra quem estava questionando seus métodos, além de isolamento econômico em relação ao exterior.
As divergências e as desconfianças entre os líderes dos dois principais países socialistas aumentavam cada vez mais. A China desenvolve bombas nucleares, e a União Soviética não admitia perder a hegemonia nuclear no bloco socialista. Elas rompem seus acordos, e a URSS retira todos os seus assessores e técnicos da China, além de não mais apoiar a China. Esse período foi interessante, pois aproximou a China dos EUA, e Richard Nixon, em 1972, convida a China para participar na ONU, em substituição à Taiwan, tornando-se membro permanente do Conselho de Segurança da entidade.
Em 1979, Mão,falece.Foi substituído por Deng Xiaoping. Com a crítica à Revolução Cultural, os novos donos do poder iniciaram um processo de DESMAOIZAÇÂO na China. Uma nova revolução estava por acontecer!!

A “ECONOMIA SOCIALISTA DE MERCADO”

O gigante chinês, depois de viver décadas em estado de letargia, à margem do explosivo crescimento econômico de seus vizinhos – os Tigres Asiáticos_, resolveu finalmente acordar. Sob o comando de Deng Xiaoping, iniciou-se, a aprtir de 1978, um proceso de regprma econômica no campo e na cidade, paralelamente à abertura da economia chinesa ao exterior. A China buscava segundo Deng: “ integrar a verdade universal do marxismo com a realidade concreta de nosso país(...) e construir um socialismo com peculiaridades chinesas”? Trata-se, na verdade, de uma tentativa de conciliar o processo de abertura econômica ( o estímulo à iniciativa privada, ao capital estrangeiro, à modernização do país) com a manutenção, no plano político, de uma ditadura de partido único.
Para um país com uma população com mais de um bilhão de habitantes, e aproximadamente 70% camponesa, é natural que as reformas se iniciassem pela agricultura. Foram extintas as comunas popularese, embora a terra continuasse peretencendo ao Estado, cada família poderia cultivá-la como desejasse. Depois de entregar uma parte ao Estado, poderia vender no mercado o restante.
A reforma na agricultura provocou a disseminação da iniciativa privada e do trabalho assalariado no campo, levando a um aumento da renda dos agricultores, inclusive com o surgimento de uma camada de camponeses ricos. Houve também uma expansão do mercado interno, como conseqüente estímulo à economia como um todo.
A partir de 1982, iniciou-se efetivamente o processo de abertura no setor industrial. As indústrias estatais tiveram que se enquadrar à realidade e foram incentivadas a adequar-se aos novos tempos, melhorando a qualidade de seus produtos, abaixando seus preços e ficando atentas à demanda do mercado. Além disso, o governo permitiu o surgimento de pequenas empresas e autorizou a constituição de empresas mistas (joint ventures), atraindo o capital estrangeiro.
A grande virada, porém, veio mesmo com a abertura das ZONAS ECONÔMICAS ESPECIAIS em várias provinciais litorâneas. O objetivo fundamental dessas zonas econômicas, espécie e enclaves capitalistas dentro da China, era atrair empresas estrangeiras, que trariam, além de capitais, tecnologia e experiência de gestão empresarial, que faltavam aos chineses.
Como resultado disso tudo, a economia da China cresce a uma taxa média de 9% ao ano. Com certeza, uma das taxas mais altas do mundo.
No plano da economia, a China está seguindo, em linhas gerais, os passos dos Tigres. Aliás, é interessante lembrar que, com exceção da Coréia do Sul, as populações de Taiwan, Hong Kong e Cingapura são compostas basicamente por chineses, o que favorece o fluxo de capitais, informações, pessoas e de uma “cultura capitalista”. Aí está, portanto, a face “tigre” da China, nas zonas econômicas especiais.

O “MILAGRE CHINÊS”

Além da liberalização econômica, o fator fundamental que está atraindo vultosos capitais para a China, notadamente para as ZEEs, é o baixíssimo custo de uma mão-de-obra muito disciplinada e trabalhadora. Aliás, esse é o grande fator de competitividade da indústria chinesa no momento. Nesse sentido, ela está no mesmo patamar dos Tigres há mais ou menos vinte anos. O salário mínimo na China é de 25 dólares por uma jornada de trabalho de 12 horas diárias.
Uma outra face desse “milagre” é o aprofundamento das desigualdades sociais e regionais, que tem provocado o aumento das migrações internas, apesar das restrições do governo central.
Assim, com base em uma profunda abertura econômica e nos baixos salários, o MADE IN CHINA invadiu o mundo. No entanto, cada vez mais levantam-se restrições ao país, que constantemente é acusado (até pelo Brasil) da prática de “DUMPING SOCIAL”, ou seja, vende produtos muito baratos, já que superexplora a mão-de-obra, fazendo uma concorrência desleal.
Como conseqüência desse verdadeiro BOOM industrial, a China tem, atualmente, um parque industrial bastante diversificado. No entanto, tem apresentado um crescimento bastante desigual não só territorial, mas também setorialmente.